A Orla de Santarém ganhou vida na noite de sexta-feira (12) com a abertura oficial do Festival Latino-Americano de Cinema de Alter do Chão. O evento aconteceu em frente ao Centro Cultural João Fona, que virou uma grande sala de cinema ao ar livre. Este ano, o CineAlter traz o tema "Cinema das Juventudes: novas perspectivas, urgências e caminhos para o audiovisual" e reuniu público, cineastas, pesquisadores, artistas, representantes de comunidades tradicionais e gestores culturais.

A noite começou com apresentação da Banda Filarmônica Professor José Agostinho, seguida pela exibição do documentário Insurgências, dirigido por Érika Bauer de Oliveira. O filme conta sobre a colonização ao longo das rodovias Transamazônica e BR-163, resultado de pesquisa de 50 anos coordenada pela professora Raimunda Monteiro, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). "Foram quatro anos de trabalho para reunir em 50 minutos uma história de 50 anos", destacou a professora.

Um dos momentos mais fortes foi o Dabacuri, ritual tradicional do povo Borari da Aldeia de Alter do Chão. A celebração levou para a orla uma réplica do mastro do Sairé e um banho de cheiro preparado coletivamente. "Este momento representa uma celebração da fartura das Aldeias e é um agradecimento a Tupã, Deus Indígena. Estar na programação do CineAlter é uma forma de ecoar a voz do povo Borari", explicou Alan Rios, membro da comissão de artes do boto cor de rosa.

Na sequência, foi exibido o filme Refúgio, dirigido por Rafael Duarte, que conta a história dos descendentes de pessoas escravizadas que vivem em Cachoeira Porteira, em Oriximiná, onde fica o maior quilombo reconhecido do Brasil. O líder comunitário Rubens Cordeiro compartilhou reflexões sobre sua trajetória após a sessão. Para a secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, realizar o festival em espaço público reforça o compromisso de ampliar o acesso da população à cultura. "Estar em frente ao Centro Cultural João Fona com programação aberta é uma forma democrática de levar cultura para as pessoas", afirmou.

O encerramento ficou por conta do cantor Eduardo Du Norte, com o show Amor Amor, com clássicos do brega romântico. Raphael Ribeiro, presidente do Instituto Território das Artes (ITA), explicou que escolheram a frente do Centro Cultural João Fona porque é um símbolo da história de Santarém. "Cinema e audiovisual estão ligados à memória e à história. É uma forma de visitar o passado para pensar o futuro", destacou.

O festival continua no hoje, (13) e domingo (14) em Alter do Chão, com exibições de filmes paraenses, longas-metragens latino-americanos, curtas-metragens, painéis de discussão, apresentações musicais e a transmissão do jogo Brasil x Marrocos. A cerimônia de premiação acontece no domingo, com encerramento com o filme Mundurukuyu – A Floresta das Mulheres Peixe.